Alcebíades completaria oito anos em 30 de outubro; Marcell Moraes cobra justiça e não deixa caso cair no esquecimento

O dia 30 de outubro seria uma data de celebração para Alcebíades, macaco-prego que vivia sob os cuidados do ambientalista e ex-deputado estadual Marcell Moraes. O animal completaria oito anos de vida, mas a data foi marcada pela saudade, indignação e pela cobrança por justiça. Para Marcell, a morte de Alcebíades não pode ser esquecida, e as circunstâncias que levaram à perda do animal precisam ser esclarecidas.

A morte ocorreu após um episódio registrado em 5 de outubro de 2026, no condomínio Alphaville 2, em Salvador. Desde então, Marcell Moraes busca respostas sobre o que aconteceu durante o resgate e cobra uma apuração rigorosa dos fatos, especialmente diante das lesões identificadas no corpo do macaco-prego.

Laudo necroscópico aponta choque hemorrágico

A divulgação do laudo necroscópico trouxe novos elementos para o caso e reforçou a necessidade de esclarecimentos. O documento NHP60/26, emitido pelo Laboratório de Patologia Veterinária Histopathus/Semeve, identificou hemorragias multifocais extensas, hematomas e alterações em diferentes órgãos.

A conclusão aponta como provável causa da morte um choque hipovolêmico de origem hemorrágica, quadro provocado pela perda significativa de sangue. O exame também identificou lesões compatíveis com traumatismo cranioencefálico.

Entre os achados estão sangramentos acentuados nas regiões lombar, axilar direita, torácica dorsal, temporal direita e occipital, além de hematoma expressivo na musculatura temporal direita e hemorragias em outros tecidos.

Os resultados levantam questionamentos sobre a origem dos ferimentos e a dinâmica dos acontecimentos que antecederam a morte de Alcebíades.

Resgate no Alphaville 2 levanta questionamentos

Alcebíades foi resgatado depois de entrar em imóveis no condomínio Alphaville 2. Segundo informações apresentadas pela equipe responsável pelo animal, durante a tentativa de escapar ele também teria colidido contra um box de vidro.

Imagens e relatos apresentados por Marcell Moraes e testemunhas apontaram a presença de sangue espalhado pelo chão da residência onde o animal foi localizado.

A sequência dos acontecimentos, a origem das lesões e os procedimentos utilizados durante o resgate são pontos que precisam ser devidamente esclarecidos pelas autoridades responsáveis.

O laudo confirma a existência de um quadro hemorrágico grave, mas não determina isoladamente como os ferimentos foram provocados nem atribui responsabilidades. Por isso, a investigação precisa considerar todos os elementos técnicos e documentais disponíveis.

Morte de Alcebíades reacende debate sobre proteção da fauna silvestre

Além da cobrança por justiça, o caso chama atenção para a forma como animais silvestres são tratados quando aparecem em áreas residenciais.

Salvador possui diversos bairros e condomínios próximos a regiões de mata e vegetação nativa, ambientes que constituem o habitat natural de inúmeras espécies. O aparecimento de um animal silvestre em uma residência ou área comum não deve ser motivo para agressões ou intervenções improvisadas.

O correto é evitar o contato direto e acionar equipes especializadas, preparadas para realizar a captura e o manejo com segurança.

O episódio também reforça a necessidade de capacitação contínua dos profissionais envolvidos nos resgates, utilização de equipamentos adequados e cumprimento de protocolos que preservem a vida dos animais.

Marcell Moraes mantém trajetória de luta pela causa animal

Ambientalista e defensor da causa animal, Marcell Moraes construiu sua trajetória pública em torno da proteção da fauna e da preservação ambiental. Foi vereador de Salvador e deputado estadual, com atuação em pautas relacionadas ao meio ambiente e à defesa dos animais.

Entre as iniciativas associadas à sua trajetória estão propostas e medidas de proteção animal, incentivo à castração, defesa do atendimento veterinário público e ações voltadas ao combate aos maus-tratos.

A morte de Alcebíades representa mais um episódio que, segundo Marcell, precisa ser tratado com seriedade pelas autoridades. O ambientalista defende transparência na investigação e a responsabilização caso sejam constatadas irregularidades.

Oito anos que deveriam ser celebrados, mas se transformaram em uma cobrança por justiça

No dia em que Alcebíades completaria oito anos, a lembrança do macaco-prego ganha um significado ainda mais doloroso. Uma data que deveria ser de comemoração passou a representar a luta por respostas sobre sua morte.

Marcell Moraes mantém a cobrança para que o caso não seja esquecido e para que todas as circunstâncias sejam investigadas.

Afinal, a proteção animal não pode existir apenas no discurso. Ela precisa estar presente nas atitudes, nos procedimentos de resgate e, principalmente, na responsabilidade de todos aqueles que têm o dever de proteger a vida.

Alcebíades completaria oito anos. Sua história, porém, permanece marcada por perguntas que precisam de respostas. Marcell Moraes cobra justiça e defende que sua morte não fique impune.


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