O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) expõe perseguição política do PT após o diretório paranaense da legenda publicar a mensagem “Deltan, você é o próximo”. A postagem foi feita na segunda-feira (26), após a reeleição de Lula (PT). O partido afirmou que pretende dar continuidade ao recurso que contesta a candidatura do ex-procurador ao Senado.
“Viva a ‘democracia’, eles disseram”, escreveu Dallagnol. “Não deu nem 24 horas depois da eleição, o PT já ameaça os 3 milhões de votos que o Paraná confiou a mim.”
Em publicação nas redes sociais, o ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato relacionou a mensagem a pedidos de parlamentares de esquerda para apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial.
“Esse é o ‘governo do amor’: ódio, vingança e perseguição contra quem ousa enfrentar o sistema”, afirmou. “Aos mais de 59 milhões de brasileiros que não escolheram o PT, vocês não estão sozinhos. Não vamos abaixar a cabeça nem abandonar o Brasil.”
PT pretende levar contestação ao TSE
Em resposta à Gazeta do Povo, o diretório do PT no Paraná informou que sua equipe jurídica pretende dar continuidade à contestação da candidatura de Dallagnol no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legenda espera que o mérito do recurso seja analisado ainda neste ano.
Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) autorizou a candidatura por quatro votos a três. A decisão foi contestada no TSE.
Dallagnol recebeu cerca de 2,9 milhões de votos na disputa pelo Senado. O ex-procurador já havia perdido o mandato de deputado federal em 2023, após decisão unânime do TSE.
TSE cassou mandato de Dallagnol em 2023
Eleito deputado federal pelo Podemos em 2022, com 344.917 votos, Dallagnol teve o registro de candidatura cassado pelo TSE em 16 de maio de 2023. A Corte entendeu que ele antecipou sua saída do Ministério Público Federal para evitar possíveis processos disciplinares que poderiam resultar em inelegibilidade.
O julgamento acolheu recursos apresentados pelo PMN e pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Na época, o TRE-PR havia considerado que não existia processo administrativo disciplinar em curso quando Dallagnol pediu exoneração do Ministério Público. O TSE reformou esse entendimento, e a Câmara dos Deputados formalizou a perda do mandato em junho de 2023.