Elissandro Santana aponta caminhos para tornar Itabuna mais preparada para os desafios climáticos

Geógrafo e analista em Infraestrutura e Urbanismo defende planejamento preventivo, recuperação ambiental e integração das políticas públicas para reduzir vulnerabilidades no município

O futuro de Itabuna diante das mudanças climáticas passa por uma transformação na maneira de pensar o planejamento urbano, a infraestrutura e a relação da cidade com o meio ambiente. Essa é a reflexão apresentada pelo geógrafo e analista em Infraestrutura e Urbanismo Elissandro Santana, em artigo originalmente publicado pelo Portal Desacato (desacato.info).

No texto intitulado “Itabuna diante do desafio climático: estrutura urbana, vulnerabilidade socioambiental e os caminhos para uma cidade mais resiliente”, Santana apresenta uma análise ampla sobre problemas que fazem parte da realidade do município, como enchentes, inundações, alagamentos, deficiência de drenagem, ocupação territorial, saneamento, mobilidade, resíduos sólidos, redução de áreas verdes e degradação ambiental.

Mais do que apontar dificuldades, o especialista propõe uma mudança de perspectiva: Itabuna precisa deixar de atuar prioritariamente depois dos eventos extremos e fortalecer uma política permanente de prevenção e redução de riscos.

Quem é Elissandro Santana

A análise ganha relevância também pela experiência profissional de seu autor. Elissandro Santana é geógrafo, analista em Infraestrutura e Urbanismo e possui atuação na área de Coordenação de Projetos, com experiência na administração pública municipal de Itabuna, especialmente em questões relacionadas ao planejamento territorial, infraestrutura, meio ambiente e prevenção de riscos.

Em sua trajetória na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Itabuna, Santana participou, inclusive, do processo de encaminhamento da documentação necessária para que o município pudesse ser contemplado pelo Programa AdaptaCidades.

Atualmente, conforme relata no próprio artigo, sua atuação profissional ocorre na Defesa Civil do Município de Itabuna, experiência que aproxima ainda mais seu trabalho das discussões sobre prevenção, vulnerabilidade territorial e preparação da cidade diante de eventos extremos.

O próprio autor faz questão de diferenciar sua participação anterior no processo de adesão ao programa da atual condução institucional do AdaptaCidades. Por estar hoje na Defesa Civil, Santana afirma não dispor de informações institucionais atualizadas para indicar em qual etapa se encontra a implementação do programa ou os encaminhamentos mais recentes do Plano Municipal de Adaptação.

Sua experiência, entretanto, sustenta uma das principais ideias defendidas no artigo: a adaptação climática não pode ficar restrita a uma única secretaria ou gestão municipal. Ela precisa ser uma política pública transversal, permanente e integrada.

AdaptaCidades como oportunidade para Itabuna

No artigo publicado pelo Portal Desacato, Elissandro Santana destaca a participação de Itabuna no AdaptaCidades, iniciativa coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes.

Para o geógrafo, a iniciativa representa uma oportunidade para fortalecer a capacidade municipal de identificar riscos, planejar respostas e desenvolver políticas de adaptação climática.

A análise ressalta que Itabuna apresenta vulnerabilidades que precisam ser observadas de forma conjunta. Problemas de drenagem, ocupações em áreas vulneráveis, impermeabilização do solo, degradação de cursos d’água e insuficiência de cobertura vegetal podem ampliar os efeitos das chuvas intensas.

Assim, enchentes e alagamentos não devem ser analisados apenas como consequências de fenômenos naturais. A dimensão dos danos também está relacionada à forma como a cidade cresceu, ocupou seu território e estruturou sua infraestrutura.

Itabuna como uma “cidade-esponja”

Entre as propostas apresentadas por Santana está a incorporação do conceito de “cidade-esponja” ao planejamento urbano de Itabuna.

A estratégia busca fazer com que a cidade aumente sua capacidade de absorver, armazenar, infiltrar e administrar as águas das chuvas, em vez de simplesmente tentar escoá-las rapidamente.

Jardins de chuva, pavimentos permeáveis, parques lineares, áreas de biorretenção, recuperação de espaços verdes, proteção de nascentes, reservatórios, sistemas de captação de águas pluviais e telhados verdes estão entre as alternativas apontadas.

Para Santana, porém, não existe uma solução única que possa ser aplicada indiscriminadamente em toda a cidade. Cada bairro deve ser analisado de acordo com suas características e vulnerabilidades, permitindo que as intervenções sejam planejadas de forma territorialmente adequada.

Rio Cachoeira exige planejamento integrado

Outro ponto de destaque é o Rio Cachoeira. Na avaliação apresentada pelo geógrafo, sua recuperação não pode ficar limitada a ações pontuais de limpeza e retirada de resíduos.

Santana defende medidas de longo prazo, como recuperação ambiental, reflorestamento das matas ciliares, proteção de nascentes, redução da poluição e monitoramento permanente.

A própria natureza de uma bacia hidrográfica exige ainda que o planejamento ultrapasse os limites territoriais de Itabuna. Isso significa envolver municípios, órgãos públicos, universidades, iniciativa privada e sociedade civil em uma estratégia integrada.

Infraestrutura também precisa ser entendida como política climática

O artigo chama atenção ainda para a necessidade de integrar saneamento, drenagem, pavimentação, arborização, mobilidade e planejamento territorial à agenda climática.

Uma rua sem drenagem adequada, um bairro com infraestrutura insuficiente ou uma região excessivamente impermeabilizada podem se tornar ainda mais vulneráveis durante períodos de chuvas intensas.

Por isso, Elissandro Santana defende que obras públicas e novos empreendimentos considerem mapas de risco, características ambientais e sistemas adequados para o manejo das águas pluviais.

A prioridade, segundo a análise, deve alcançar principalmente as comunidades mais vulneráveis. O especialista ressalta que os impactos dos eventos climáticos não atingem toda a população da mesma maneira.

Bairros com infraestrutura precária e menor acesso a serviços públicos possuem, em geral, menos condições de enfrentar situações extremas. Dessa forma, justiça socioambiental e adaptação climática precisam caminhar juntas.

Prevenir em vez de apenas reagir

Um dos pontos centrais levantados por Santana é a necessidade de substituir gradativamente uma cultura predominantemente reativa por uma política preventiva.

O atendimento da Defesa Civil e de outros órgãos públicos depois de um desastre continuará sendo indispensável. Entretanto, para o especialista, uma cidade verdadeiramente preparada precisa agir também antes que o problema aconteça.

Mapeamento de riscos, monitoramento de áreas vulneráveis, planejamento territorial, obras preventivas e definição de prioridades estão entre os instrumentos necessários para reduzir os impactos de futuros eventos extremos.

Nesse cenário, o AdaptaCidades pode funcionar como ferramenta para aproximar conhecimento técnico, planejamento urbano, gestão ambiental, infraestrutura, saneamento, gestão das águas e proteção e defesa civil.

Planejar hoje para reduzir os danos de amanhã

Ao concluir sua análise, Elissandro Santana sustenta que o desafio climático pode se transformar em uma oportunidade para Itabuna promover uma ampla requalificação urbana e ambiental.

Para isso, o município precisará pensar conjuntamente suas águas, áreas verdes, bairros, infraestrutura, mobilidade, saneamento, habitação e, principalmente, as necessidades das populações mais vulneráveis.

A mensagem central apresentada pelo geógrafo é que uma cidade resiliente não é aquela capaz de impedir todos os fenômenos naturais, mas aquela que conhece seus riscos e se estrutura para diminuir suas consequências.

O futuro climático de Itabuna, portanto, não dependerá somente das alterações do clima nas próximas décadas. Dependerá também das decisões tomadas hoje sobre como a cidade ocupa, protege e planeja seu território.

A reflexão tem como base o artigo “Itabuna diante do desafio climático: estrutura urbana, vulnerabilidade socioambiental e os caminhos para uma cidade mais resiliente”, de autoria de Elissandro Santana, originalmente publicado pelo Portal Desacato (desacato.info).


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