Hospital Estadual 2 de Julho realiza primeira captação de múltiplos órgãos e reforça importância da doação

O ato ficou marcado com a realização do ‘Corredor de Honra’, que reuniu profissionais e familiares, que acompanharam a despedida do ente querido em um gesto de amor em meio ao luto.

Na última segunda-feira (4), o Hospital Estadual 2 de Julho, em Salvador, foi tomado por um momento de profunda sensibilidade, solidariedade e amor ao próximo ao realizar a sua primeira captação de múltiplos órgãos.

Para que a captação ocorresse com segurança e êxito, o hospital passou por um processo criterioso de preparação, com protocolos bem definidos, integração entre setores e uma equipe multiprofissional capacitada, envolvendo médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e demais colaboradores. Toda a atuação foi conduzida com precisão técnica e sensibilidade humana, evidenciando o compromisso da unidade com a excelência no cuidado e, sobretudo, com a missão de salvar vidas por meio da doação de órgãos.

O procedimento, que cumpre um rigor técnico e complexo instituído pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), vinculado ao Ministério da Saúde, foi preparado após a confirmação do óbito e a autorização da família para a doação, fruto de um trabalho de diálogo acolhedor e humanizado por parte dos profissionais, que a amparou neste momento tão delicado de luto.

Como forma de respeito e admiração ao paciente, a equipe da unidade hospitalar organizou o 'Corredor de Honra' até o centro cirúrgico. O gesto simbólico contou, inclusive, com a presença dos familiares, que acompanharam esse momento de despedida, transformando a dor da perda em um ato de altruísmo e amor.

O diálogo prévio sobre o desejo de ser doador foi fundamental para a tomada de decisão. Para os colaboradores da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), que estiveram à frente da captação, a conversa em família é um dos principais fatores que viabilizam a doação, já que, no Brasil, a autorização depende dos familiares.

Por questões éticas regidas pela Lei dos Transplantes (nº 9.434/1997), não foram divulgadas informações sobre identidade ou circunstâncias do falecimento. O que se destaca, no entanto, é a generosidade da família, que, em meio ao luto, optou por salvar outras vidas por meio da doação de órgãos.

“Esse é um dos momentos mais delicados que uma família pode enfrentar, mas também pode se tornar um dos mais transformadores, e todo procedimento realizado aqui respeitou isso. A doação de órgãos é um gesto de carinho que ultrapassa a dor e leva esperança a outras famílias, em meio a isso, nós enquanto profissionais de saúde devemos acolher a família que tomou essa decisão tão importante. É a possibilidade de que vidas continuem, mesmo diante da perda”, destacou o diretor médico do hospital, Dr. Roque Aras.

A diretora da Fundação ABM de Pesquisa e Extensão (Fabamed), que gere a unidade em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), Cláudia Carvalho, também prestou solidariedade aos familiares e ressaltou a grandeza do gesto.

“Nos solidarizamos profundamente com a família neste momento de dor e despedida. Ao mesmo tempo, reconhecemos a nobreza dessa decisão, que transforma o luto em um ato de amor e comunhão. É um gesto que salva vidas e deixa um legado de esperança que jamais será esquecido”, afirmou.

Importância do ato

Segundo último levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil realizou mais de 30 mil transplantes em 2024 e possui um dos maiores programas públicos de captação de órgãos do mundo, com mais de 90% dos procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda assim, milhares de pessoas seguem na fila de espera por um órgão.

Na Bahia, conforme informações da Central Estadual de Transplantes, no ano passado 1.384 procedimentos foram realizados, mas a demanda ainda supera a oferta, reforçando a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doação.

A realização da primeira captação de múltiplos órgãos no Hospital Estadual 2 de Julho simboliza não apenas um avanço técnico da unidade, mas, sobretudo, um marco humano: a prova de que, mesmo na despedida, é possível gerar vida, esperança e continuidade.

Notícia anterior
Jornalistas que cobrem Elon Musk têm contas no Twitter suspensas
Próxima notícia
Mapeamento de riscos e atenção aos riscos psicossociais marcam agenda institucional do 16º Centro de Saúde

Notícias relacionadas