A Bahia amanheceu em choque com a notícia da morte do psicólogo Manoel Neto, de 32 anos, encontrado em sua residência poucas horas após publicar uma carta aberta nas redes sociais. No texto, Neto relatava um episódio de racismo sofrido em um camarote privado durante o Carnaval de Salvador, descrevendo a humilhação e o peso de ser um homem negro em espaços elitizados da festa.
Na carta, Manoel contou que, ao tentar atravessar o camarote carregando bebidas, foi impedido por um homem branco que bloqueava sua passagem. Após pedir licença diversas vezes sem resposta, precisou elevar o tom de voz para conseguir passar. “Sou um homem negro. Eles respeitam a minha agressividade e não a minha cordialidade”, escreveu, em uma reflexão sobre como o racismo molda interações sociais.
A morte do psicólogo gerou comoção entre amigos, familiares e colegas de profissão. Manoel era formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atuava em Santo Antônio de Jesus, com destaque para trabalhos voltados à saúde mental da população negra. Nas redes sociais, estudantes e pacientes lamentaram a perda e denunciaram o impacto devastador do racismo estrutural.
Vozes da sociedade
- O coletivo Raízes da África publicou: “O racismo dilacera almas, desestabiliza emoções, instaura caos profundos em nossa saúde mental. O racismo mata”.
- Especialistas em saúde mental reforçaram que episódios de discriminação racial não são apenas agressões simbólicas, mas podem gerar traumas profundos e consequências fatais.
- Movimentos sociais cobraram investigação e responsabilização dos organizadores do camarote, além de políticas públicas que garantam ambientes inclusivos e seguros.
Debate necessário
O caso reacendeu discussões sobre:
- Racismo em espaços de lazer e a exclusão de corpos negros em ambientes elitizados.
- Saúde mental da população negra, frequentemente negligenciada nas políticas públicas.
- A urgência de ações afirmativas que combatam práticas discriminatórias em grandes eventos culturais.
A tragédia de Manoel Neto não é apenas uma perda individual, mas um alerta coletivo. O Carnaval, símbolo da alegria baiana, revelou também suas desigualdades e feridas sociais. A comoção popular mostra que a sociedade exige mudanças concretas para que histórias como essa não se repitam.
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